sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

CHEGUEI COM A CABEÇA PENDIDA/ Aidenor Aires





De minha antologia pessoal


  
Cheguei com a cabeça pendida

Cheguei com a cabeça pendida.
Flor decepada do mundo.
Cintilância do aprendizado para o abismo.
Orfeu irregressado, trouxe ainda sob as axilas cansadas,
o fardo do poema.

Aos deuses, ergo minha libação.
Aos deuses, que me fizeram rouxinol.
Subtraio-me disperso
e devolvo a canção que evola de minha carne,
das aras em cinzas,
e já ninguém comove.

Devolvo a todo o belo
o que, veloz, em mim brilhou
sem pressa
do sonho de cantar e ser completo.


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